A rápida expansão do mercado de infoprodutos impulsionou o crescimento do mercado digital em uma velocidade inédita. E, como acontece em todo mercado que cresce rápido, esse avanço não veio acompanhado, no mesmo ritmo, por uma estrutura jurídica e empresarial já amadurecida.
Isso porque grande parte das empresas digitais nasceu em um contexto de transformação acelerada, no qual ainda não havia clareza sobre como vender no ambiente digital, tampouco sobre quais responsabilidades jurídicas seriam aplicáveis a esse “novo mundo”.
Por muito tempo, houve dificuldade em reconhecer que aquilo também era, e sempre foi, um negócio. Um negócio real, com riscos reais. Em muitos casos, determinadas consequências jurídicas, como inadimplência, descumprimento contratual e responsabilidades civis e empresariais, acabavam sendo subestimadas diante da própria novidade do mercado.
Essa lógica, no entanto, vem sendo gradualmente superada, inclusive no plano normativo. A sanção da Lei nº 15.325/2026, ao reconhecer formalmente a profissão de multimídia, é um exemplo claro desse movimento de amadurecimento jurídico.
A norma não apenas confere identidade legal a atividades centrais do ecossistema digital, como também reforça uma mensagem inequívoca ao mercado: o digital deixou de ser um ambiente informal. Trata-se de um setor econômico relevante, que exige parâmetros objetivos de atuação, responsabilidade e cumprimento de obrigações.
No final de 2025 e início de 2026, observamos uma mudança consistente de comportamento. Empresas passaram a buscar estruturação interna de forma mais consciente.
O mercado digital amadureceu. Os empresários estão mais criteriosos, consomem informação com maior profundidade, compreendem seus direitos e deveres, exigem contratos, documentos, clareza e o efetivo cumprimento do que foi pactuado.
A tendência é inequívoca: profissionalismo deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência. Uma necessidade estrutural.
O reflexo disso é positivo. Empresas mais organizadas, operações mais seguras e negócios que se aproximam, cada vez mais, dos padrões do mercado tradicional. Um processo lento, contínuo e necessário, que transforma iniciativas digitais em empresas administradas por empresários que compreendem, assumem e honram o papel que exercem.
É nesse contexto de amadurecimento do mercado digital que a atuação jurídica estratégica deixa de ser reativa e passa a ocupar um papel central na construção de negócios mais sólidos, seguros e preparados para crescer de forma sustentável.